domingo, 30 de março de 2008

Hoje no Rock: Eric Clapton – 63 anos

Eric Patrick Clapton[bb] nasceu em uma família operária, filho de um relacionamento de sua mãe com um marinheiro canadense, que nunca veio a conhecer. Cresceu achando que seus avós na verdade seriam seus pais, e que sua verdadeira mãe seria sua irmã. Vivia na pequena Ripley, uma cidade pobre nos arredores de Londres onde sequer possuia luz elétrica. Mas esses foram apenas os primeiros blues da sua vida.

Seu interesse pela música começou cedo. Primeiro ouvindo programas de rádio, depois em clubes de blues e jazz em Londres, quando já estudava design na adolescência. Comprou sua primeira guitarra e não parou mais. Começou a enfileirar bandas como The Roosters, Yardbirds e John Mayall and the Bluesbrakers. Sua fama como guitarrista cresceu, ao ponto do famoso grafite Clapton Is God começar a aparecer nos muros da cidade.

Continuou enfileirando formações, como o famoso e turbulento Cream, com Jack Bruce e Ginger Baker, considerado por muitos o primeiro super grupo. Durou apenas 2 anos. Vieram em seguida o Blind Faith e o Derek and the Dominos, que formou apropriando-se de parte da banda de Delaney and Bonnie. Com essa turma gravou o clássico Layla, composta para Patty Boyd, mulher de seu melhor amigo George Harrison.

Nesse período já lutava contra drogas e principalmente o álcool, fantasma que o perseguiu até os anos 80. Precisou de diversas internações nos EUA e na Inglaterra até que conseguiu se livrar em meados da década de 80. Mas sua provação ainda seguiria ate 1991, quando perderia seu filho Connor, num bizarro acidente em Nova Iorque. Em seguida gravou o famoso Unplugged, campeão de vendas e vencedor de vários prêmios Grammy. Nessa época, já estava envolvido com sua fundação Crossroads, que apoia e reabilita viciados em álcool, em Antigua.

Bom, em linhas gerais é isso. Muita gente tem elogiado minha forma de escrever. Mas na boa, não tem muito mais a falar desse cara. Simplesmente não encontro as palavras certas e, apesar de ter lido sua autobiografia e pesquisado muito material na internet, parece que fica sempre faltando algo. Foi alguém que me influenciou muito (não apenas na música) e que admiro simplesmente por ter transformado tanta coisa ruim nessa música de incrível qualidade e sensibilidade.

Portanto, não vou inventar muito mais texto não. Taí pra vocês um showzão de 1974, no Hammersmith Odeon, com clássicos como Let it Grow, Layla, Cant Find My Way Home e outros. Acompanha nos vocais a excelente Yvonne Elliman. Pra quem quiser saber mais, da uma olhada na Wikipedia.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Rock News: Morre o ex-chefe da gravadora dos Beatles

fonte: EFE
Londres (Inglaterra) - Morreu aos 66 anos Neil Aspinall, ex-chefe da gravadora Apple Corps, informaram nesta segunda os ex-Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr, em comunicado divulgado em Londres. Aspinall, que morreu de câncer no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York, era considerado por muitos na indústria musical o verdadeiro "quinto Beatle", apelido que também foi dado ao produtor do grupo, George Martin.

"Todos os seus amigos e entes queridos sentirão sua falta, mas sempre guardarão as mais carinhosas lembranças de um grande homem", disseram McCartney e Starr na nota, divulgada pela Apple Corps também em nome de Yoko Ono e Olivia Harrison, viúvas dos outros dois Beatles, John Lennon e George Harrison, respectivamente.


Assim como Mal Evans, Neil começou com os Beatles e acompanhou cada passo deles desde o início. Era amigo de infância de Paul e George e foi roadie, motorista, diretor de tourne... fez de tudo um pouco e acabou como diretor da Apple. Ele tem uma declaração sensacional, sobre porque a Apple passou a funcionar sob sua gestão: "Paul parou de aparecer por lá".

Nos últimos anos, Neil (na foto com Paul) vinha sendo um ferrenho oponente contra a liberação da obra dos Beatles para comercialização na internet. Com sua aposentadoria em abril e seu falecimento, parece que a última barreira para que isso aconteça foi superada. Se a festa no céu ja estava animada, agora chegou alguém pra organizar. Mais um que se vai e a gente fica aqui vendo essas bundas cantantes...

domingo, 23 de março de 2008

Rock News: Queen retoma atividade e pode vir para América do Sul

fonte: Globo.com
O Queen[bb] pode visitar a América do Sul ainda neste ano. O lendário grupo retomou as atividades em 2007 com Paul Rodgers nos vocais e quer colocar o pé da estrada numa turnê que deve durar 4 meses.

Segundo a agência de notícias “Ween”, Brian May e Roger Taylor estão apostando todas as fichas no novo CD do grupo, “Cosmos”, que foi recebido no ano passado com muita alegria pelos fãs. Eles pretendem voltar aos palcos que já receberam o Queen na década de oitenta.

Em 2007, o guitarrista e o baterista do Queen se uniram ao vocalista de blues Paul Rodgers para gravar uma canção sobre a Aids - "Say It's Not True" - que foi divulgada como o primeiro trabalho do grupo britânico gravado em estúdio em dez anos.

As datas e locais dessa nova turnê ainda não foram divulgadas, mas é esperado que eles passem pela Europa, Japão e Américas. Ao todo serão 14 países em oito semanas de shows, terminando na América do Sul. O pontapé será em Moscou, na Rússia, em setembro próximo.

A última vez que o Queen esteve no Brasil foi em 1985, quando se apresentou com Freddie Mercury no Rock in Rio para cerca de 300 mil pessoas ao vivo e 200 milhões de telespectadores que viram o show pela TV.


A primeira pergunta que vem a mente é: seria ou não um caça-níqueis? Mas é óbvio que sim! Afinal, na atual situação do rock, essas voltas são previsíveis. Police, Led, Cream... já to careca de falar disso.

Agora, também é verdade que a música agradece esse retorno, cansada dos mesmos roqueiros de vitrine de sempre. Só lamento a ausência do John Deacon, o folclórico baixista original, que aposentou-se e virou eremita em algum lugar da Inglaterra. No fringir dos ovos, é melhor sobrar que faltar.

Hoje no Rock: REM - Out of Time

Em 23 de março de 1991, o album Out of Time, o segundo do REM[bb] pela Warner, atravessou o Atlântico e chegou ao primeiro lugar nas paradas britânicas. Cercado de mistério, ele trouxe como carro chefe a polêmica Losing My Religion, fuzilada de todos os lados pelos fundamentalistas de todos os credos, que não haviam entendido a mensagem.

Out of Time traz toda a carga folk que se tornaria a característica principal do REM, com o uso de bandolins, orgãos, percursões e outros instrumentos acústicos. Pra muita gente isso foi novidade, mas quem conhecia o trabalho anterior deles, como o excelente Lifes Rich Pageant, não achou nada de novo. Aliás, na verdade soava como pop demais.


Pop ou não, o disco faturou 3 Grammys, incluindo de melhor música, para Losing My Religion. Alçou o REM ao status de banda clássica, tornando-a conhecida do grande público. Mas para conhecer o melhor do REM ainda recomendo seus primeiros trabalhos, até o Green, trabalho anterior ao Out of Time.


Pra vocês, separei a versão acústica de
Losing My Religion, do raro e mítico Unplugged de 1991, nunca lançado pela MTV, por ter sido considerado pouco comercial. Idiotas...

Rock News: Beatles querem bloquear gravações inéditas de 1962

fonte: AP
Advogados dos Beatles processaram nesta sexta (21) uma gravadora dos Estados Unidos para evitar a distribuição de gravações inéditas dos Fab Four supostamente feitas durante a estréia de Ringo Starr no grupo, em 1962.

A disputa entre a Apple Corps, empresa de Londres formada pelos Beatles para zelar pelo legado da banda, e a Fuego Entertainment, de Miami, surgiu aparentemente por causa de uma gravação do grupo realizada em um show no Star Club, em Hamburgo, na Alemanha.

Acredita-se que oito músicas inéditas estão entre as gravações, incluindo uma faixa em que Paul McCartney canta “Lovesick blues”, de Hank Williams, e outra em que Macca faz dueto com Lennon em “Ask me why”.

A Apple Corps informa que as gravações foram feitas sem o consentimento do grupo e que a Fuego e as empresas do grupo - Echo-Fuego Music Group LLC e Echo-Vista Inc. – não têm o direito de distribuí-las.

Baixa qualidade?
“Isso mais parece uma gravação de fundo de quintal”, declarou Paul LiCalsi, procurador da Apple Corps. A Fuego Entertainment, por sua vez, alega que as gravações foram feitas legalmente. “Elas não são clandestinas”, retrucou o presidente Hugo Cancio. “Não é como hoje, que você chega com um celular e grava.” O processo aponta que as gravações são de baixa qualidade e que a sua circulação “dilui e mancha a extraordinariamente valiosa imagem associada aos Beatles”.

Cancio afirmou que ainda não recebeu a cópia do processo, mas que não esperava um pedido de US$ 15 milhões em indenização. “Estou surpreso, porque há algumas semanas estávamos conversando com a Apple de boa fé.” A representação também cita Jeffrey Collins, parceiro de Cancio, como a pessoa que obteve as canções. Não está claro como Collins conseguiu as músicas. Cancio pretendia distribuir as faixas no disco “Jammin com Beatles e amigos, Star Club, Hamburgo, 1962.” “É triste que milhões de fãs dos Beatles não possam ter acesso a essas gravações. O mundo merece ouvi-las", disse. “O fato é que nós as temos, eles não; e isso é o que os incomoda.”

Há alguns anos, quando o Anthology foi lançado e Free as a Bird foi gravada a partir de uma demo de John Lennon, Paul disse que "quando se encontra um vaso egípcio, não importa se ele é feio ou bonito, apenas que é um vaso egípcio". Ele tentava confrontar alguns críticos que diziam que a música não tinha a qualidade que se esperava dos Beatles. Discordo. Acho uma música belissima, que soou bem de novo.

Da mesma forma, pouco importa se a qualidade é ruim. Deve ser mesmo, não existiam muitos recursos de gravação ao vivo em 1962. Mas não acredito que uma desafinada ou uma microfonia diminua a aura que os fabfour têm. Se gravar com Michael Jackson não destruiu a carreira do Macca, nada mais destrói. No fim, é apenas pela grana...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Rock News: Kiss - O Rock se encontra num estado patético

fonte: Whiplash
Paul Stanley, guitarrista/vocalista do KISS[bb], disse ao Daily Telegraph da Austrália que as bandas modernas são "inúteis e patéticas" e está prometendo fazer valer o dinheiro durante a mini-turnê australiana do grupo.

"Lucrativo ou sem lucro algum, nós não temos nenhuma intenção de parar", disse Stanley. "Nós desistimos de fazer isso por dinheiro há muito tempo atrás, nós amamos fazê-lo, mas mesmo assim continuamos sendo pagos".


"O Rock & Roll está em um estado patético", ele acrescenta. "Nós estamos cansados de ver bandas subindo no palco sem dar valor para o dinheiro de vocês. Nós não queremos apenas fazer jus à lenda (do KISS) mas queremos ultrapassa-la, e é por isso que estamos aqui", diz Stanley.

"A música do KISS é universal, atemporal - sempre iremos descobrir novas platéias. O que nós cantamos é sobre a celebração da vida, sobre se divertir. Não precisamos procurar por uma platéia - a platéia nos acha", finalizou.

Há umas semanas ia postar aqui sobre a postura do Gene Simmons, com seu reality show imitando o "The Osbournes". Isso por si só já seria uma piada pronta. Mas resolvi ficar quieto porque não achei relevante. Pra falar a verdade, achei patético.

Que tem muita banda sem vergonha por aí, todo mundo concorda. Agora, tem sim muita coisa de qualidade sendo feita (vide o post anterior sobre o Beirut) e platéias exigentes, pedindo música de qualidade. Hoje, graças a internet, a música voltou a ser livre e as gravadoras e produtoras estão vendo seu rico dinheirinho escorrer entre os dedos. Então, basta procurar.

E pra voltar ao assunto das bandas patéticas: tocar com a cara pintada de gatinho não é a coisa mais séria do mundo né? Francamente...

domingo, 16 de março de 2008

Blog'n'Roll: Beirut

Zach Condon era apenas um típico adolescente americano do Novo México quando estabacou- se de uma ponte e destruiu seu braço esquerdo. Esse acidente deixou-o com um braço menor que o outro, o que tornou impossível tocar guitarra sem dor. Como alternativa, ele partiu para o Ukelele e começou suas experiências musicais no seu próprio quarto de dormir.

Filho de guitarrista, Zach tornou-se multi-instrumentista, tocando trompete, teclado e percursão. Aos 17 largou os estudos e foi conhecer a Europa. O que veio na bagagem foi muito mais valioso que souvenirs. Trouxe toda uma carga de música cigana, judaica e do leste-europeu. Misturou tudo isso com o folk americano e gravou com ajuda de alguns amigos (mas basicamente sozinho) o disco Gulag Orkestar (capa acima), sob o nome de Beirut.


Hoje, com apenas 22 anos, Zach já lançou mais 2 EPs (Lon Gisland e Pompeii) e mais um cd, o Flying Club Cup, esse com mais influências da música francesa. O Beirut transformou-se em um ícone do alternativo.


Quando ouvi pela primeira vez, conheci a música Elephant Gun. Precisei ouvir mais 3 ou 4 vezes seguidas para absorver os elementos. Logo visualizei uma banda tcheca ou búlgara, tamanha a carga de influências da europa oriental. Fiquei surpreso ao saber que era uma banda americana. Mais surpreso ainda ao saber que era uma banda de um homem só. E quase caí pra trás quando soube que o cara só tinha 22 anos!


O mais interessante de tudo foi que, por dentro, identifiquei também como um som que eu gostaria de fazer. Sempre adorei instrumentos como trompete, acordeom, bandolim e outros relacionados ao folk. Logo tratei de absorver essa influência e já trabalho em projetos dentro desse estilo.
É difícil rotular Zach e o Beirut. Já vi classificado como folk, como indie, como alternativo, como étnico... Não gosto de rótulos. Pra mim, Beirut é apenas Beirut.

Pra quem quiser, taí o site deles:
http://www.beirutband.com/
Clique aqui para baixar um bootleg, Live at SWSX.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Rock News: Ex-namorada de John Lennon lança livro com fotografias do Beatle

fonte: New York Times
Se há uma coisa que May Pang tem combatido nos últimos 28 anos, é a idéia de que John Lennon[bb] estava deprimido, isolado e fora de controle durante os 18 meses em que viveu com ele, do verão de 1973 ao início de 1975, quando o músico se reconciliou com sua segunda esposa, Yoko Ono. O próprio Lennon difundiu essa percepção dos fatos ao se referir àquele período como seu “fim de semana perdido” nas entrevistas que deu em 1980, quando lançou “Double fantasy”, um álbum em parceria com Ono que foi sua volta à música após um silêncio de cinco anos.

Histórias sobre Lennon bêbado sendo expulso do Troubador, uma casa noturna de Los Angeles, parecem comprovar essa imagem. Mas para Pang, hoje com 57 anos, o “Fim de Semana Perdido” foi uma época extremamente produtiva, durante a qual Lennon terminou três álbuns – “Mind games”, “Walls and bridges” e “Rock ‘n’ Roll” – produziu discos de Ringo Starr e Harry Nilsson e gravou com David Bowie, Elton John e Mick Jagger.

Depois de ter detalhado essas experiências (junto com a expulsão do Troubador e outros momentos sombrios) em “Amando John”, suas memórias de 1983, Pang voltou agora com evidência fotográfica. Seu novo livro, “Instamatic karma” (publicado pela St.Martin’s Press), é uma coleção de 140 páginas de fotos casuais que ela tirou durante o período que passou com Lennon.

“Um amigo meu ficava dizendo, ‘você conta tantas histórias sobre o John, e quando faz isso diz, espere aí, tenho uma foto para acompanhar o que estou contando! Como é que a gente nunca vê um livro com essas fotos?’ Então, achei que talvez fosse a hora de publicá-las. Isso permitirá às pessoas ver John nesse mundo, pelos meus olhos. E faria com que ele se livrasse daquela coisa do ‘Fim de Semana Perdido’, que todo mundo fala que foi uma fase depressiva em que ele estava com péssima aparência. Eu não creio que essas fotos pareçam assim”.

E não parecem: nas páginas de “Instamatic karma” – o título é uma brincadeira com a canção “Instant karma”, de Lennon – o Beatle parece relaxado, feliz e é visto passando algum tempo com seu filho, Julian, assim como com alguns amigos famosos, entre eles Paul McCartney, Ringo Starr, Nilsson e Keith Moon. Ele é mostrado trabalhando no estúdio de gravação, nadando em Long Island Sound, fazendo palhaçadas no Central Park e visitando a Disney World. Pang ordenou seu livro por assunto, em vez de cronologicamente, em quatro capítulos chamados “Em casa”, “Brincando”, “Trabalhando” e “Longe”.

Momento crucial

Para seu arrependimento, ela perdeu alguns momentos famosos. Em 28 de março de 1974, houve uma jam session em Los Angeles que incluiu Lennon, Nilsson, McCartney e Stevie Wonder, por exemplo, e que não foi documentada. Mas Pang capturou um exemplo importante: Lennon assinando o acordo que dissolvia a parceria dos Beatles em 29 de dezembro de 1974. Depois de quatro anos de negociações, os Beatles concordaram – ou pareceram concordar – com os termos que regiam sua separação formal, e um encontro foi marcado para 19 de dezembro no Plaza Hotel, em Manhattan.

George Harrison estava tocando no Madison Square Garden naquela noite, Paul McCartney havia vindo de Londres e Starr, que já havia assinado o documento, estava ao telefone. No último minuto, Lennon fez objeção à cláusula que ele achou que poderia criar um problema com impostos para ele (por ser o único Beatle que morava nos EUA) e decidiu que não iria. Harrison, furioso, cancelou os planos de se juntar a Lennon no palco no Madison Square Garden, mas McCartney apareceu no apartamento que Lennon dividia com Pang no número 52 da Rua Street para discutir o assunto.

Dez dias depois, quando Lennon, Julian e Pang estavam na Disney World, um advogado apareceu com o contrato revisado e Lennon pediu para que Pang sacasse sua câmera. A fotógrafa descreve a cena: “quando John desligou”, escreve ela, “ele olhou melancolicamente pela janela.” “Era como se eu o visse revivendo toda sua experiência com os Beatles.”

Pang então fotografou o Beatle sentado sob as assinaturas claramente legíveis de Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey (o nome verdadeiro de Ringo), a câmera clicando entre o “h” e o “n” de seu primeiro nome. Considerando que Lennon foi particularmente militante sobre sair dos Beatles em 1969, pode parecer estranho que ele tenha feito isso de forma melancólica. Mas não para Pang. “Todo mundo muda”, afirmou ela.

“Com John as coisas mudavam diariamente. É uma questão de tempo. Cinco anos antes as coisas não eram iguais. Em 1974, ele havia visto todos. A amizade ainda existia. Eles eram como irmãos. Não havia animosidade entre eles. E mesmo que sentissem que tinham que se separar para atingir o próximo nível de suas carreiras musicas, John havia fundado essa banda que mudou o mundo. Ela mudou o modo como vivemos e como nos vestimos. E ele sabia disso. Assim, quando ele sentou para assinar, ele sabia que era pra valer. A sua assinatura foi a última. Se ele havia criado o grupo, deveria ser ele a pessoa a acabar com a banda.”

É interessante notar que periodicamente surgem relatos de pessoas próximas contando que os Beatles mantiveram sim contato após sua separação. O próprio Clapton quase conseguiu reuní-los em seu casamento, faltando apenas John, no que seria uma jam session histórica em 1974. Por outro lado, o próprio Lennon fez uma certa força para apagar seu passado Beatle como uma coisa menor, com músicas como How Do You Sleep. De qualquer forma, fica cada vez mais provado que as divergências eram mesmo profissionais e, principalmente, financeiras.

Hoje no Rock: Eric Clapton - Unplugged

Em 13 de março de 1993, Eric Clapton[bb] chegava ao primeiro lugar nas paradas americanas com o seu Unplugged. Nos dias de hoje isso pode parecer banal, afinal todo mundo sabe quem é Eric Clapton e praticamente todo mundo que lança um Unplugged chega no topo das paradas. Mas no distante ano de 1993 não era bem assim.

Os americanos tem fixação por formatos minimalistas, assim como os ingleses por acompanhamentos de orquestra. Portanto, para eles não era incomum ter um artista tocando seus sucessos em formato acústico mas, para a MTV, era um projeto pioneiro. Dois anos antes, eles haviam tentado um Unplugged com o REM, que acabou não sendo lançado por ter sido considerado pouco comercial. Mentira: o resultado foi excelente, com releituras dos seus sucessos até então.

Mas é preciso fazer um esclarecimento aqui: Unplugged é diferente de Acústico. No primeiro, são usados instrumentos acústicos (violão, baixo acústico, percursões) totalmente desligados de qualquer amplificador. A captação é feita por microfones de ambiente. No Acústico, usam-se violões elétricos, plugados num amplificador comum, muitas vezes utilizando até mesmo pedais. E foi aí que o formato começou a se perder, como já falei neste blog.

Voltando ao Clapton, em 1993 ele já era consagrado e já estava livre do alcoolismo, mas era um músico ligado diretamente ao rock e principalmente ao blues, sendo desconhecido da grande maioria. Quando gravou o acústico, ele o fez como uma diversão, não acreditando em grandes vendas. Segundo sua autobiografia, era algo inclusive que ele não acreditava como um trabalho autêntico. Mas as vendas foram fantásticas, rendendo 6 prêmios Grammy.

Para provar que não ligava para essas vendas astronômicas, seu trabalho seguinte foi um album com cara de Clapton: o excelente From the Cradle, reunindo só velhos blues de raiz, numa mostra que não precisava mais provar nada a ninguém. E ele estava absolutamente certo, basta lembrar no caça níqueis que o Acústico MTV tornou-se...


Separei pra vocês a minha favorita desse Unplugged. Não, não é a versão água com açúcar de Layla. É San Francisco Bay Blues, uma velha canção de Jesse Fuller, que já foi gravada por muita gente boa. É tocada como se fazia antigamente, como Clapton gosta. E eu também!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Rock News: Bob Dylan entra mudo e sai calado em passagem pelo Rio

fonte: Agencia O Dia
Bob Dylan[bb] quase não falou em sua passagem pelo Brasil, que terminou sábado à noite, com um show para cerca de 6 mil pessoas no RioArena, em Jacarepaguá, no Rio. Como nos dois shows que fez em São Paulo, o artista pouco se comunicou com a platéia. Pelo menos verbalmente: aqui, foi um "thank you, friends", no início do bis, e olhe lá. Era seu curto agradecimento pela quente recepção que teve dos cariocas.

O RioArena estreou em shows internacionais com certa confusão: filas para todos os cantos e boa dose de desinformação para o público, que pagou entre R$ 150 e R$ 380 pelo show. Os aborrecimentos deram lugar à reverência ao músico de 66 anos (e pouca voz) a partir das 21h38, quando Rainy Day Women #12 & 35, com seu histórico refrão que diz que todo mundo tem que ficar "doidão", iniciou a apresentação de 17 músicas.

Mais do que cantar, Dylan narrou a própria obra, com tempero rouco e bêbado, à Tom Waits, e um sotaque para lá de mastigado. Tocou acompanhado por cinco músicos com tiques de banda de "saloon" e, sem dizer um "ai", conduziu como bem entendeu o público, que ia de adolescentes a sessentões, no RioArena parcialmente vazio - segundo a organização, apenas seis mil ingressos foram colocados à venda, embora o espaço comporte até 13 mil pessoas.

O som, porém, esteve impecável e ajudou a conquistar o público, que reagiu entre o furor em canções conhecidas, como na versão emocionada de Like A Rolling Stone, e o silêncio respeitoso em músicas mais recentes, caso de Spirit On The Water. Os arranjos iam da delicadeza country ao vigor do blues e explosões roqueiras, caso de Highway 61 Revisited, um dos pontos altos do show.

Dylan tocou guitarra nas três primeiras músicas, depois pulou para o teclado, onde ficou até o bis, com a nova Thunder On The Mountain e a ancestral Blowin' In The Wind. Essa deu ao público o refrão tão esperado para cantar junto e voltar para casa de alma lavada, após duas horas de um alto, potente e bem tocado show de rock. Mesmo sem falar nada, Dylan se comunicou - e muito bem - com os cariocas.

Quem entende do riscado disse que o show foi excelente, mas poucos dias antes deu no O Globo a indignação dos mauricinhos paulistas porque Dylan não havia cantado hits como Blowin' in the Wind. Ora porra, se Dylan quiser cantar Eu Não Sou Cachorro Não, ele pode. Se eu tivesse 900 paus de bobeira pra ir num show não estaria com esse mau humor todo.


Na ocasião houve uma avalanche de mensagens mal criadas que iam da indignação do fã-que-conhece-3-músicas, até o nacionalista-com- complexo-de-vira-lata, dizendo que os gringos nos tratam de qualquer jeito, que não têm respeito. Ah, poupe-me e se quer música conhecida, vá ver Ivete Sangalo!

Blog'n'Roll: Dia Internacional da Mulher - Renaissance

Quem me conhece sabe que não dou a menor pelota pra datas inventadas como Dia dos Namorados, Dia da Consciência Negra, Dia do Amigo... Só libero o dia das mães porque me aturar no bucho tanto tempo não foi mole. Mas esse Dia Internacional da Mulher serve de gatilho pra falar de uma das vozes mais maravilhosas da história do rock.


No começo dos anos 70 o progressivo começava a ganhar espaço e as bandas investiam em arranjos cada vez mais megalomaníacos. Orquestras já não eram novidade desde o Sgt Peppers e qualquer boa idéia era bem vinda pelos arranjadores para incrementar o som. Nesse cenário, surgiu o Renaissance[bb], a partir de membros do Yardbirds. Essa formação inicial logo se desfez, restando apenas Jim McCarty, que junto com Michael Dunford (violão), John Tout (piano), John Camp (baixo) e Terry Sullivan (bateria), lançaram o album Prologue.

Mas o destaque mesmo é a voz angelical de Annie Haslam, capaz de ir de um grave profundo até um agudo estridente com o esforço de quem boceja. Autodidata, Annie havia sido expulsa do coral de sua escola, por cantar alto demais. Um belo dia viu um anúncio no jornal de uma banda precisando de vocal feminino. Resolver arriscar e foi logo escolhida.

O conjunto é fantástico, com o baixo muito bem combinado com um piano magistralmente tocado. A voz de Annie tem portanto o acompanhamento perfeito para aparecer muito bem. Ah, e antes que alguém fale que é coisa de estudio, procure performances ao vivo deles: cada nota está no mesmo lugar, sem nenhum desafino. Annie já andou pelo Brasil, mas sem o Renaissance, algumas vezes acompanhadas apenas de um violão.

Escolhi pra vocês uma música desse álbum chamada Spare Some Love. Uma homenagem a todas as mulheres do mundo, através dessa voz de anjo.

Desculpem o atraso no post (o certo seria no sábado) mas ando com a cabeça meio ocupada. Em breve vocês saberão porque.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Rock News: Hells Angels tinham plano para matar Mick Jagger, diz ex-agente do FBI

fonte: BBC
O líder da banda Rolling Stones[bb], Mick Jagger, escapou de uma tentativa de assassinato que teria sido planejado pelo grupo de motoqueiros Hells Angels em 1969, de acordo com um documentário de rádio que será apresentado pela BBC na Grã-Bretanha no próximo dia 11.

O ex-agente da polícia federal americana Mark Young disse, em entrevista ao documentário sobre o centenário do FBI, que a gangue tentou chegar à casa de Jagger, em Long Island (Nova York), por mar.

De acordo com Young, o vocalista dos Rolling Stones se tornou alvo da gangue depois da morte de um fã adolescente em um show gratuito da banda em Altamont Speedway, na Califórnia.

Os Hells Angels haviam sido contratados por Mick Jagger para trabalhar na segurança do show, mas foram demitidos depois do incidente.

"Eles iam matá-lo como represália por tê-los demitido", afirma Young no documentário.

Segundo o ex-agente do FBI, a viagem da gangue rumo à casa de Mick Jagger se tornou inviável quando o barco dos Hells Angels foi atingido por uma tempestade.

Mark Young diz que, depois de ter os planos frustrados ao quase ter um barco afundado, o grupo que pretendia matar Mick Jagger "nunca voltou e reavivou o plano".

O apresentador do documentário, Tom Mangold, afirma que o FBI, que só soube dos planos da gangue depois, considerou o episódio uma "séria tentativa" de ataque.

As informações divulgadas sobre o documentário não revelam se Mick Jagger foi informado sobre o complô dos Hells Angels. O porta-voz do cantor se recusou a comentar o assunto.

Esse assunto foi abordado no filme Gimme Shelter, que fala justamente do mal fadado show am Altamont, que seria uma resposta da costa oeste americana ao Festival de Woodstock, acontecido pouco tempo antes. Os Stones não tocaram em Woodstock, preferindo uma bem sucedida turnê americana.

Muita gente pergunta porque, no auge da onda do paz e amor, eles contrataram os encrenqueiros Hells Angels para sua segurança. Muito simples: pouco antes, os Angels ingleses haviam feito a segurança no famoso show no Hyde Park, em homenagem a Brian Jones e não houve nenhum incidente. Acontece que esses eram calmos, ao contrario dos seus primos americanos, que brigavam por qualquer coisa.

Rock News: Morre o guitarrista canadense Jeff Healey

fonte: Terra
Toronto - O roqueiro canadense cego Jeff Healey[bb] (foto), que tocava a guitarra deitada sobre os joelhos, faleceu neste domingo, vítima de câncer, às vésperas do lançamento de seu novo álbum. Healey, 41 anos, morreu em um hospital de Toronto vítima de um tipo de câncer pouco comum, retino-blastoma, que combatia desde o nascimento e que tirou sua visão quando tinha um ano.

O álbum "See The Light" da Jeff Healey Band, indicado ao Grammy em 1988, vendeu mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos. Healey tocou ao lado de lendas do blues como B.B. King e Stevie Ray Vaughan. Além disso, gravou com George Harrison, Mark Knopfler e Jimmy Rogers, entre outros.

Exímio guitarrista, Jeff tocava sua guitarra como se fosse um piano, deitada sobre suas pernas. A julgar por sua habilidade, pouco ou nada importava o fato de ser cego. Possuia também uma excelente voz para o blues, seu ritmo favorito. Sua gravação mais famosa é uma versão para While My Guitar Gently Weeps, do Harrison.

Mais um que se manda pra um lugar melhor. Essa festa no céu tá ficando boa...

Rock News: Iron Maiden leva 37 mil fãs ao delírio em São Paulo

fonte: Diário do Grande ABC
Como bons britânicos, os músicos do Iron Maiden[bb] iniciaram com pontualidade, às 20h, o único show em São Paulo da turnê mundial Somewhere Back in Time. Aces High, uma música que fala da urgência de voar, abriu o show para o êxtase dos 37 mil fãs que se esforçaram para adquirir um ingresso (esgotados dez dias depois do início das vendas). A platéia foi aquecida pela apresentação da filha do baixista e fundador do grupo, Lauren Harris.

Na última sexta-feira, logo que pousaram em solo brasileiro e desembarcaram do Astraeus Boeing 757 pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, o próprio comandante declarou em entrevista exclusiva para a Globo que o público iria gostar mais do show realizado domingo do que do histórico Rock in Rio de 1985. “Porque hoje nós tocamos melhor”, disse com simplicidade. Naquela ocasião a banda registrou a maior platéia de sua existência: 300 mil pessoas.

E quem viu e ouviu Iron nos anos 1980 voltou no tempo com a cenografia que faz referência às turnês dos álbuns Powerslave (1984-85) e Somewhere in Time (1986-87). Além de Harris e Dickinson, o baterista Nicko McBrain e os guitarristas Adrian Smith, Janick Gers e Dave Murray emendaram com 2 Minutes to Midnight, Revelations, The Trooper e Wasted Years. Foi só o começo de uma noite de clássicos para entrar na história do heavy metal.

Bons tempos aqueles em que 37 mil pessoas, tanto num show como numa partida de futebol, era um fracasso de público. Mas os anos passaram, as coisas mudaram, as bandas envelheceram, os ingressos ficaram caros... O rock, assim como o futebol, ficou elitista.

Pra quem não lembra, no Rock in Rio o público para o mesmo Iron, no auge da forma foi de meros 300 mil espectadores. Alguém pode dizer que eram outros tempos, não havia a mesma qualidade de som, de palco, de produção. Mas sinceramente, who fucking cares?

domingo, 2 de março de 2008

Rock com Pipoca: Cat Stevens - Majikat

Quando se fala em Cat Stevens[bb], todo mundo pensa no cara que fazia sucesso e largou tudo pra ser monge. Ok, é por aí, mas na verdade é muito mais que isso.

Tenho me cobrado postar algo sobre ele há algum tempo, já que Cat é uma das minhas maiores influências, pela forma que compõe e toca violão. A voz rouca é bem característica, assim como os arranjos predominantemente acústicos.


Ele começou sua carreira em meados dos anos 60 no auge da explosão do brit pop, mas seguiu um caminho diferente das demais.


Logo seu estilo se destacou, por ser único na época e antecipando o que bandas como America e Eagles fariam nos anos 70. Outro diferencial eram as suas letras com caráter existencial e místico. Cat começou a emplacar vários hits, como Father and Son, Peace Train, Moonshadow e The Wind. Mas sua grande revolução espiritual ainda estava por vir.

Toda sua busca mística passou pelo budismo, numerologia e outras filosofias, antes de ser introduzido ao Alcorão e ao Islamismo. Cat então percebeu que o mundo do showbizz não condizia com a busca espiritual que ele tentava. No meio desse cenário, estava a turnê Majikat, um misto de show com números de mágica. A idéia era filmar o show e lança-lo em video.

Acontece que Cat abandonou a música e as filmagens desse show de 1976 foram esquecidas no cofre de um banco. E lá ficaram por 30 anos, até serem finalmente lançadas em DVD. Além de um excelente show, com ótima qualidade de audio e vídeo (película), o DVD traz excelentes extras, com clips originais, cenas de outros shows e uma excelente entrevista gravada em 2005, onde Cat, agora usando seu nome muçulmano de Yussuf Islam, conta com detalhes toda a sua história, incluindo o momento de sua conversão ao islã. Inclui também um ótimo material gráfico, com livretos e lindas fotos.

Material obrigatório por ser seu último registro ao vivo e mostrando um Cat Stevens em plena forma, com uma ótima banda. Vale uma olhada no seu último CD, chamado Another Cup. Apesar de agora chamar-se Yussuf Islan, seu estilo permanece o mesmo, com predominancia dos violões e com sua voz rouca no auge da maturidade.