segunda-feira, 10 de março de 2008

Rock News: Bob Dylan entra mudo e sai calado em passagem pelo Rio

fonte: Agencia O Dia
Bob Dylan[bb] quase não falou em sua passagem pelo Brasil, que terminou sábado à noite, com um show para cerca de 6 mil pessoas no RioArena, em Jacarepaguá, no Rio. Como nos dois shows que fez em São Paulo, o artista pouco se comunicou com a platéia. Pelo menos verbalmente: aqui, foi um "thank you, friends", no início do bis, e olhe lá. Era seu curto agradecimento pela quente recepção que teve dos cariocas.

O RioArena estreou em shows internacionais com certa confusão: filas para todos os cantos e boa dose de desinformação para o público, que pagou entre R$ 150 e R$ 380 pelo show. Os aborrecimentos deram lugar à reverência ao músico de 66 anos (e pouca voz) a partir das 21h38, quando Rainy Day Women #12 & 35, com seu histórico refrão que diz que todo mundo tem que ficar "doidão", iniciou a apresentação de 17 músicas.

Mais do que cantar, Dylan narrou a própria obra, com tempero rouco e bêbado, à Tom Waits, e um sotaque para lá de mastigado. Tocou acompanhado por cinco músicos com tiques de banda de "saloon" e, sem dizer um "ai", conduziu como bem entendeu o público, que ia de adolescentes a sessentões, no RioArena parcialmente vazio - segundo a organização, apenas seis mil ingressos foram colocados à venda, embora o espaço comporte até 13 mil pessoas.

O som, porém, esteve impecável e ajudou a conquistar o público, que reagiu entre o furor em canções conhecidas, como na versão emocionada de Like A Rolling Stone, e o silêncio respeitoso em músicas mais recentes, caso de Spirit On The Water. Os arranjos iam da delicadeza country ao vigor do blues e explosões roqueiras, caso de Highway 61 Revisited, um dos pontos altos do show.

Dylan tocou guitarra nas três primeiras músicas, depois pulou para o teclado, onde ficou até o bis, com a nova Thunder On The Mountain e a ancestral Blowin' In The Wind. Essa deu ao público o refrão tão esperado para cantar junto e voltar para casa de alma lavada, após duas horas de um alto, potente e bem tocado show de rock. Mesmo sem falar nada, Dylan se comunicou - e muito bem - com os cariocas.

Quem entende do riscado disse que o show foi excelente, mas poucos dias antes deu no O Globo a indignação dos mauricinhos paulistas porque Dylan não havia cantado hits como Blowin' in the Wind. Ora porra, se Dylan quiser cantar Eu Não Sou Cachorro Não, ele pode. Se eu tivesse 900 paus de bobeira pra ir num show não estaria com esse mau humor todo.


Na ocasião houve uma avalanche de mensagens mal criadas que iam da indignação do fã-que-conhece-3-músicas, até o nacionalista-com- complexo-de-vira-lata, dizendo que os gringos nos tratam de qualquer jeito, que não têm respeito. Ah, poupe-me e se quer música conhecida, vá ver Ivete Sangalo!

Um comentário:

Anônimo disse...

Estranho....li a resenha do show no Globo onde tb se elogia o som...

Só que 2 amigos meus que foram ver o Dylan reclamaram MUITO do som....acho que pros pobres que ficaram a léguas de distância (e só viram um pontinho no palco) não foi tão legal assim não...rs