domingo, 29 de junho de 2008

Rock com Pipoca: Vida de Cão

Muita gente me chama de multimídia porque produzi meu cd sozinho. Nada demais se você pensar que instrumentos de corda tem a mesma base teórica. A parte de produção também não tem nada demais, foi apenas curiosidade da minha parte.

Multimídia mesmo é a Ana Paula Diavan que, além de preparar a entrevista que publiquei há alguns dias, agora produziu o primeiro video do cd Introdução, para a música Vida de Cão. Ela conseguiu captar exatamente o que eu tinha em mente para esse clip, cada ponto chave e imagem relacionada. Eu não teria feito melhor!

Voltando ao que eu disse antes, dizer que eu fiz tudo sozinho é uma grande mentira. Sem a ajuda de pessoas como a Ana Paula, César, Andrea, Luiz Claudio, Gladys, Mariano, Julia, entre tantos outros (sei que estou cometendo algumas injustiças imensas nesse parágrafo) esse projeto seria exatamente um mero projeto.

Por falar no César, taqui o clip que ele fez pro nosso cover de I Will, isso em novembro do ano passado.

Abaixo, o clip de Vida de Cão. Pra quem quiser a versão com boa qualidade, é clicar aqui no 4shared de sempre. Espero que gostem!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Caio Mattos Experience - A Banda

Depois de mais de um ano de gravações e do lançamento do CD Introdução, estão a todo vapor os ensaios para o show de estréia da banda Experience. Luiz Cláudio (baixo) Ayrton (bateria) e Luciano (guitarra solo) estão me acompanhando nessa nova empreitada, agora rumo ao show que acontecerá no dia 4 de julho, no Dragon Jack em Itaipu.

O repertório traz, além das músicas do CD, covers de rock clássico e blues, além de uma música do Luiz Cláudio. No fundo é basicamente o clima que a gente tem aqui no blog, do bom e velho rock'n'roll. O interessante é que algumas músicas do CD Introdução estão ganhando uma nova cara com essa banda. Isso só aconteceu por serem músicos tarimbados e com um mínimo de experiência com rock e blues.

Pra quem quiser curtir, o show acontece no dia 4 de julho, às 22 horas no Dragon Jack Rock Club, que fica na estrada de Itaipu, em frente aos Correios, no Cancun Center, Itaipu - Niterói.
Entrada: R$ 5,00.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Rock News: Chuck Berry não acerta um acorde no palco do Vivo Rio em menos de uma hora de show

Dividida entre jovens senhores que viveram intensamente o rock das décadas de 50, 60 e 70 e garotões que adorariam ter uma máquina do tempo para ir lá conferir o que rolava nesta época, a platéia do Vivo Rio na noite desta terça-feira vinha respeitando a dificuldade de Chuck Berry[bb] em acertar um acorde em seus solos. Mas, quando, aos 50 minutos do primeiro tempo, o astro da guitarra saiu do palco para não voltar mais, houve quem dissesse que pediria o dinheiro de volta.

Alguns declararam já estar esperando a falta de disposição de um homem que tem nada menos que 81 anos. Porém, com certeza, uma turma não tem do que reclamar: as meninas que o nada bobo Chuck chamou ao palco enquanto tentava exigir mais de seu instrumento, uma Gibson ES-350T semi-acústica.

Para elas, foi uma festa! Para Chuck, um momento tenso. Rapazes - alguns com topetes e vestidos como nos tempos do rockabilly - subiram ao palco para acompanhar as moças (na verdade, tentar uma chance de se aproximar do ídolo). O roqueiro parou a música, esperou que os seguranças os colocassem para baixo e seguiu tocando para as meninas dançarem.

O ponto alto do show foi também o (não) anúncio do fim. Chuck saiu à francesa e deixou seu filho, Charles Berry Jr., na roubada: foi o guitarrista (legítimo sucessor) quem teve que se despedir das dançarinas e dos cariocas da platéia. Aliás, o músico tapou bem os buracos deixados pelo pai com sua guitarra.

Chuck Berry começou o show com "Memphis Tennessee". Empolgou-se com a resposta do público e estimulou quem estava ali embaixo a cantar trechos de "My ding a ling". Mas nem mesmo no clássico "Johnny B. Goode", que levou os fãs a delírio, o roqueiro acertou as notas. A mão caía de qualquer jeito no braço da guitarra e, sem conferir se os dedos formavam o acorde certo, era ali mesmo que ele puxava as cordas.

Teria sido um fiasco se o homem não fosse uma lenda e não estivesse já tão debilitado (em relação a notas e ritmos, porque, fisicamente, ele parece ótimo). Pena foi ele não dar à platéia o prazer de cantar junto outros clássicos, como "Maybellene" e "Oh Carol". Durou pouco.
fonte: O Globo

É tio Chuck tá cansado, mas isso é assim mesmo. Só fica chato por quem pagou uma grana pra ver (mais de R$200,00 o lugar mais barato). Agora, quando a matéria fala em "acordes do solo", mostra que foi escrita por quem não é do ramo. Berry pode ter errado escalas, mas isso é o de menos. Antes 50 minutos de Chuck Berry que 2 horas de créu.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje no Rock: Paul McCartney, 66 anos

Goste você ou não, ache pop ou não, baladeiro, meloso, metido a besta, o que seja. Na pior das hipóteses, se James Paul McCartney[bb] não tivesse nascido em 18 de junho de 1942, nós teríamos perdido no mínimo 50% da parceria mais criativa do século XX.

Sim, afinal de contas, o próprio Lennon convidou-o a entrar para sua banda, os Quarryman, que se tornou o embrião dos Beatles. Se você prefere o Harrison (como eu), saiba que ele só entrou na trupe porque Sir Paul chamou. Aliás, muita gente credita essa ligação entre Paul e John ao fato de ambos terem perdido suas mães precocemente (a de Paul quando ele tinha 17 anos, de câncer).

Seu pai, Jim, era vendedor de algodão, mas também músico amador. Tocava piano e trompete e passou a estimular Paul a tocar. Começou pelo trompete, mas segundo Macca "era complicado cantar com aquele troço na boca". Bastante perspicaz... Mais tarde, com o crescimento do skiflle (um tipo de folk inglês) seu interesse pela música cresceu e daí pra frente me recuso a contar qualquer história.

Se você ainda tem implicância com ele, saiba que Macca foi o Beatle com a carreira mais prolífica, com 39 álbuns (alguns de música clássica) e uma penca de coletâneas, além de trilhas sonoras. Isso fez dele o músico de maior sucesso em vendagens do último século. Ok, mas você diria que a Ivette Sangalo também vende muito, isso não garante qualidade. Mas aí eu digo, ela não fez parte dos Beatles!

Nos anos 70 Paul botou na estrada os Wings, uma mera banda para acompanhá-lo. Fazia parte sua mulher Linda o que de início foi motivo de muita piada. Mas convenhamos, ela berrava bem melhor que a Yoko. Linda acompanhou o marido até sua morte, em 1998, curiosamente da mesma causa que sua sogra: câncer no seio.

Mas se você agora falou "ah bobão, tinha todas as mulheres que poderia ter e casou com aquela magrela...", saiba que Paul era tido pelo companheiros como lobo em pele de cordeiro. Ele foi o último Beatle a se casar e antes de Linda foi noivo da atriz Jane Asher. Essa garota ganhou músicas como And I Love Her, You Won't See Me, e I'm Looking Through You. Mas romperam o noivado quando ela o pegou com outra na cama. Acontece nas melhores familias...

Paul pagou os pecados no seu mais recente casamento, com a ex-porn star Heather Mills, onde levou um chapéu de couro e perdeu uma nota na separação. Paul deu uma de último a saber e disse que não sabia do passado da ex. Ficou 24 milhões de libras mais pobre (ou menos rico, como queira) e já foi flagrado traçando outra: uma socialite americana (dessa vez ele escolheu uma que já é rica).

Muita gente diz que não gosta dele porque Paul não passa de um compositor de baladas fáceis. Também acho! Adoro as baladas I Saw Her Standing There, Back in the USSR e Live and Let Die. Ah, e se eu tivesse um filho, ele dormiria ao som da calmíssima Helter Skelter. Ia acordar ligadão!

Bom, se você leu até aqui e ainda tem implicância com esse cara que segundo as más linguas faz a sombrancelha, azar o teu. Mas aposto que você curte (mesmo em segredo) muita coisa dele. Separei pra vocês um clip que é um dos meus favoritos: Pipes of Peace, do disco Tug of War[bb] de 1982. Esse é o primeiro disco lançado por Paul após a morte de Lennon e durante a Guerra das Malvinas. Então tem um apelo pacifista evidente. O clip da música foi inspirado num episódio da Primeira Guerra Mundial, onde soldados alemães, ingleses e franceses pararam de combater por vontade própria, durante o natal de 1914.

Happy Birthday!


terça-feira, 10 de junho de 2008

Introdução: Perguntas Frequentes


Desde que comecei a desenvolver o cd Introdução (contra-capa acima), ouço perguntas variadas, sejam sobre as técnicas que usei, sobre as composições ou sobre as dificuldades. É bom saber como esse trabalho vem despertando a curiosidade das pessoas. Pensando nisso, pedi a minha amiga jornalista Ana Paula Diavan que formulasse uma série de perguntas que fossem relevantes para quem tem interesse em conhecer o projeto como um todo. E ela, perguntadeira profissional, mandou muito bem! O que era pra ser uma espécie de FAQ virou quase uma entrevista, que ta aí pra vocês agora. Como ficou meio longa, decidi disponibilizar para download, em PDF e Word, no bom e velho 4Shared.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Rock News: Morre aos 79 anos roqueiro Bo Diddley

Flórida (EUA) - Bo Diddley[bb], um dos músicos que na década de 50 contribuíram para criar e consolidar o rock 'n' roll, morreu esta segunda-feira aos 79 anos, na Flórida, EUA. Segundo um porta-voz do cantor e guitarrista norte-americano, a causa da morte foi insuficiência cardíaca.

A saúde do pioneiro do rock já estava bastante debilitada há algum tempo. Em 2007, Diddley passou por um infarte e um derrame cerebral.

É atribuído ao guitarrista a responsabilidade de ter efetuado a transição do blues para o rock 'n' roll. Bo Diddley, seu primeiro single, foi lançado em 1955.

Composições como I'm a Man, Hey Bo Diddley, Who do You Love?, Pretty Thing, Say Man e You Can't Judge a Book By the Cover são pérolas do cancioneiro do rock e canções que influenciaram gerações de roqueiros.

Sua guitarra quadrada, seus óculos e chapéu tornaram-se imagem iconográfica no imaginário roqueiro.
fonte: Terra


Bo Diddley foi batizado como Ellas Bates e, segundo alguns, ganhou esse apelido durante seu tempo como lutador de boxe. Desde menino recebeu aulas de violão e violino e teve como inspirador outro mestre do blues: John Lee Hooker.

Sua batida característica na guitarra é tida por muita gente boa como o elo perdido entre o blues e o rock, sendo imitada por vários guitarristas. Foi gravado por artistas como Clapton, Buddy Holly, Doors, Animals e Stones. Curiosamente, também foi grande influência na turma da surf music, tendo inclusive gravado uma chamada Bo Diddley's a Surfer.

Outra característica sua eram as guitarras quadradas (foto). Sempre achei que devia ser desconfortável pacas tocar com aquilo, mas a julgar pelo som que ele tirava... Pra vocês, fiz um pacotinho com duas dele, Im A Man e Bo Diddley (assim mesmo, homônima), no 4Shared.

Em 2007 Diddley sofreu um enfarto e um derrame, segundo médicos, possivelmente provocado pela diabetes. Desde então teve sua fala comprometida e vivia recluso.

Vai-se mais um pra festa do céu. Esse cara de guitarra quadrada e som redondo!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Rock com Pipoca: DVD traz a íntegra de Pet Sounds, obra-prima dos Beach Boys

Lançado originalmente em 1966, Pet Sounds[bb] é até hoje considerado um dos melhores, senão o melhor, disco de rock de todos os tempos. Os Beach Boys, então, era considerado um grupinho familiar de surf music, formado por três irmãos (Brian, Dennis e Carl), um primo (Mike Love) e um amigo de infância (Al Jardine) e, exatamente nessa época, outro agregado (Bruce Johnston), que falava de carros e garotas. Mas, por trás dessa pretensa superficialidade, havia o gênio e (mais tarde) a loucura de Brian Wilson, que depois de ouvir o Rubber Soul (Beatles) decidiu que faria um disco melhor do que o dos rivais ingleses. E fez.

O álbum, com pouco menos de 40 minutos de duração, fez a cabeça de Lennon e McCartney e de quase todos na Inglaterra, embora tenha sido um fracasso nos Estados Unidos, onde a gravadora queria "músicas normais de surf" e não uma coleção de melodias intrincadas, arranjos elaborados e letras que passavam do otimismo a depressão, do otimismo ao rancor, contando tudo o que passava na cabeça de um rapaz, lá pelos seus 19 anos.

O DVD (Brian Wilson Presents Pet Sounds Live in London), (re)lançado agora pela Universal, mostra um Brian já recuperado dos graves problemas mentais causados pelas drogas, que o tiraram de circulação por anos, mas acompanhado de uma excelente banda (praticamente a mesma que acompanhou o artista quando esteve no Brasil em 2004), mostrando a íntegra da sua obra-prima na Inglaterra, em 2002.

O som 5.1, as performances excelentes (melhores que a dos Beach Boys) e os extras são sensacionais, especialmente o documentário sobre a gravação do disco, com vários músicos que participaram das sessões de gravação. Infelizmente não há legendas em português, o que limita todo o conteúdo aqueles que dominam o inglês, e a figura de Brian no palco não é nada animada ou animadora. Mas, já que não existe nenhuma versão do cd original disponível no mercado brasileiro (apenas edições importadas), Brian Wilson Presents Pet Sounds Live in London é uma ótima pedida para qualquer um que goste de boa música e nunca tenha tido a oportunidade de ouvir um dos discos mais geniais de todos os tempos.

Se o cd ainda é insuperável, o dvd mostra o que melhor pode haver em termos de "cover". Os shows dos Beach Boys sempre foram meio caóticos, com um jeitão de pouco ensaiados e jamais reproduziram a beleza das harmonias contidas nos dois lados daquele vinil.
fonte: O Dia


Já escrevi aqui sobre esse clássico absoluto e não é novidade para os frequentadores desde humilde blog o quanto gosto dele. Não sou fã de listas do tipo "10 mais", mas esse cd eu certamente levaria para uma ilha deserta. Sobre o show, ele acontece 35 anos depois do original. Então é natural que a presença de Wilson pareça "nada animada ou animadora", como diz o redator do O Dia. Claro porra, o cara encheu a mente de tudo que podia e ficou anos fora de circulação. Estar nos palcos de novo é uma proeza digna de Keith Richards. Essa editoria do O Dia me surpreende a cada dia, sem trocadilho.

Sobre o DVD, tão logo esteja disponível, assistirei e aí conto a vocês. Se você assistir antes de mim, é só mandar suas impressões que eu posto aqui!